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Linux no desktop: entenda por que esse casamento não vingou

Linux no desktop: entenda por que esse casamento não vingou

Sistema de código aberto é usado em menos de 1% dos computadores. Para analista, Linux dificilmente substituirá Windows

De acordo com dados da Net Applications, o Windows perdeu um pouco de sua hegemonia entre os sistemas operacionais. O sistema da Microsoft fechou 2008 com 88,68% de participação entre os internautas - e a tendência é de queda. O Mac OS X, por sua vez, foi o que mais ganhou em 2008. Sua participação saltou de 7,46% no começo do ano passado para quase 10% em dezembro último.

Os números, no entanto, criaram uma dúvida: o que acontece com o Linux, que não detém nem 1% de participação entre sistemas operacionais? Por que um sistema operacional gratuito, estável e seguro não consegue conquistar mais usuários? Segundo especialistas ouvidos pela reportagem do IDG Now!, são vários os motivos que fazem o Linux ser rejeitado pelo usuário comum, desde interfaces complicadas até problemas com violações de patentes. Somados, esses fatores criam uma barreira à adoção do pinguim no computador do usuário comum.

“As interfaces de Linux são ruins e mal acabadas”, disse Érico Andrei, diretor de tecnologia e parcerias da Simples Consultoria. “Elas têm um apelo muito forte para profissionais de tecnologia, são superdivertidas, mas na vida real o usuário médio não precisa de tantas opções”, afirmou.

O fato de o Windows estar instalado em quase 90% dos computadores é outro fator que pesa contra o sistema do pinguim. “Nós estamos tão acostumados com o Windows que nem percebemos o quanto ele é completo e funcional para o usuário comum”, avaliou Stephen Kleynhans, analista das áreas de PC, laptop, aparelhos portáteis e tecnologia de consumo do Gartner. Segundo ele, isso faz com que os usuários se sintam “confortáveis” diante do sistema da Microsoft.

Esse sentimento de ‘conforto’ não se repete com o Linux. “As pessoas estão acostumadas com a interface do Windows. Quando elas abrem o Linux e os itens de menu não estão no mesmo lugar, elas querem voltar ao Windows”, afirmou Andrei, da Simples Consultoria.

E esse é só o primeiro dos problemas para o usuário final. “Fora isso, há também o problema de compatibilidade”, disse Kleynhans, do Gartner. “Com os outros sistemas, a maioria dos aparelhos são reconhecidos facilmente pelo computador. Mas, com o Linux, você mesmo tem que procurar pela solução.”

Andrei explica que, o fato de a Microsoft ser líder de mercado, faz com que todas as empresas criem drivers para que seus equipamentos funcionem corretamente com o sistema da empresa de Redmond. “Depois é que as empresas vão fazer o driver para o Linux. Além disso, é bem provável que um usuário faça o driver, poupando a fabricante (de gastar com o desenvolvimento)”, disse Andrei. 

A mesma lógica da compatibilidade se traduz em um menor número de programas para quem quer usar o pinguim no desktop. “As pessoas não ligam o computador para rodar um sistema operacional”, argumenta Kleynhans, do Gartner. “Elas ligam para rodar aplicativos , ouvir músicas e jogar. E alguns programas não estão disponíveis para todos os sistemas operacionais. É por isso que é muito difícil para o Linux substituir o Windows (no desktop), se é que ele conseguirá fazer isso.” 

Patentes
Claro, as pessoas que desenvolvem e trabalham com Linux estão bastante cientes dos problemas que o sistema tem para ser adotado no computador de uma pessoa “comum”. “A imagem do Linux é de uma coisa não tão fácil de usar e instalar”, reconhece Fábio Filho, gerente de negócios da Canonical - empresa que distribui o Ubuntu - para a América Latina. 

Na opinião do executivo, porém, o sistema de código aberto já superou esses entraves. “Quando apareceu a alternativa open source, ela não era tão amigável. Mas hoje isso mudou muito.” Ele explica, por exemplo, que a empresa na qual trabalha tem feito diversas parcerias com fabricantes de computadores para distribuir versões do Ubuntu que sejam fáceis de usar para a maioria das pessoas. “A facilidade de uso é parte da filosofia do Ubuntu.”

Mas, por maior que seja a iniciativa de simplificar o Linux, existem outros empecilhos que continuam atrapalhando o sistema - a legislação de patentes, por exemplo. A legislação impede, entre outras coisas, que alguns formatos de mídia, como o popular mp3, para música digital, sejam incluídos automaticamente no sistema.

Igor Pires Soares, embaixador do Projeto Fedora no Brasil, explicou que as empresas precisariam pagar uma taxa para oferecer alguns formatos de mídia. “O que acontece é que não dá para fornecer o sistema com suporte ao mp3. Alguém teria que pagar por esses royalties”, disse Soares. E isso vai contra a filosofia do software livre, que pode ser distribuído e modificado à vontade.  “No caso do Windows ou do OS X, o valor dos royalties está embutido no valor do sistema.”

Além disso, não é algo simples e que possa ser resolvido com linhas de programação. “Não é um problema de desenvolvimento, os programadores correm o risco de serem processados”, disse o representante do projeto Fedora no País. “Na prática, essa questão das patentes freia a inovação e cria um problema quase insolúvel. É preciso mudar a lei”, defendeu Soares. Vale lembrar que essas leis são válidas principalmente nos EUA, mas há legislação similar em outros países.

Futuro promissor?
Mesmo com todos esses problemas, que dificultam enormemente a adoção do Linux no desktop, os analistas ouvidos pela reportagem acreditam que o sistema operacional de código aberto tem um longo e próspero futuro. Não necessariamente nos computadores desktop, mas em outros serviços e aparelhos.

Um exemplo clássico de que isso é possível é o uso do sistema em servidores - onde ele é bem mais aceito do que nos computadores convencionais. “No caso básico do servidor, as pessoas que usam o Linux têm mais conhecimento de tecnologia. E a falta de uma interface gráfica não teve um impacto cultural grande”, disse Cezar Taurion, gerente de novas tecnologias aplicadas da IBM Brasil.

Além de servidores, Taurion “vê o Linux aparecendo com certo sucesso em um mundo que os aparelhos podem usar outros sistemas operacionais”. O executivo destaca que a natureza aberta do sistema faz com que ele possa ser adaptado a qualquer produto. “O grande negócio de ele ser desenvolvido de forma colaborativa é que as pessoas trabalhando no software processam a inovação de uma forma muito acelerada. Só preciso mexer em um componente para adaptá-lo a meu uso.”

Além disso, a computação em nuvem (apontada como a grande promessa tecnológica de 2009) promete criar mais chances para o sistema do pinguim. “Se você olhar o mundo como era há alguns anos e o que ele vai se tornar, (você verá que) estamos dependendo menos do desktop”, diz Taurion. Erico Andrei, da Simples Consultoria, concorda: “Na prática, vamos usar cada vez mais aplicações da web. Ou seja, a dependência do sistema operacional diminui os dados ficam cada vez mais atrelados ao fornecedor de serviços web.”

Nessas condições, é possível até esperar que o domínio do Windows nos computadores pessoais perca força nos próximos anos. “Imagino que esse monopólio tenda a enfraquecer bastante”, disse o executivo da IBM. “O cenário que propiciou isso não existe mais e é natural que esse domínio perca espaço. O que é bom, porque a competitividade aumenta.”


Fonte: http://idgnow.uol.com.br/


YRS

 


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